| A Porta da Cozinha |
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Bons tempos aqueles! Houve um tempo em que a bunda de uma mulher era
sublime, mas não era subliminar, ou seja, ela trazia pensamentos
lascivos aos homens de bom gosto, mas não interferiam no seu
pensamento, tampouco em sua rotina. Uma bunda era uma bunda. E as
mulheres, neste tempo nostálgico, não adjudicavam tantos subterfúgios
e, pelo menos as que passaram por minhas mãos, não eram adeptas dos
pormenores costumeiros de hoje em dia, quando se tratava de introduzir
qualquer coisa riste nesta sua reentrância auxiliar.
As meninas que davam o cu, não o faziam com o efeito de prêmio, na verdade o prêmio era o cabaço, o hímem, a mulher mantinha-se virgem na frente, mas atrás já tinha recebido todo tipo de pênis, de tamanhos e formatos variados. Eram umas sonsas, rainhas da libertinagem, mas também mulheres intocadas; com prova de sangue no lençol nupcial e toda e pompa e circunstância que uma “primeira vez” tinha. Era mais ou menos assim, o cu era como se fosse um estágio inicial, um lazer banal e carnal, sem os apetrechos matrimoniais que o sexo vaginal tinha. Quando saí de casa, no finzinho da adolescência, eu não era muito escolado nesta área, já havia transado algumas poucas vezes. Praticamente a minha vida sexual se resumia ao sexo solitário. Mas ali tudo mudaria, ganhei independência e liberdade, com isso vieram também as oportunidades e as mulheres. Fui trabalhar numa cidade colonizada por gaúchos e ao lado do escritório tinha uma garota, filha de um gaúcho durão que queria vê-la casada com um varão de uma família tradicional gauchesca. Na minha empresa havia dezenove funcionários, dezessete deles eram homens e a guria gaúcha aliviava a tensão de todos estes rapazes, mas, modéstia a parte, me elegeu seu preferido depois que se deu conta que a minha anatomia se encaixava mais perfeitamente na dela. Era só sexo anal e oral - nada que depreciasse a honra da guria -, os quais ela fazia com mestria, a sua boca parecia um retentor, pois ela não deixava derramar uma gota dos meus espasmos orgásticos. Nos encontramos assim por um ano e oito meses, quando ela estava realmente pra casar com o tal varão. Até fui convidado ao casamento e eu não pude deixar de ir, compareci e ainda questionei: “E agora, como ficamos?” E ela respondeu sorridente: “Agora, só com ele, mas o meu cuzinho provavelmente vai ser aposentado, ele não tem jeito de quem gosta da coisa”. A minha vizinha daquele tempo não era a única jovem que se valia deste artifício – um tanto idiota, diga-se passagem, visto que era apenas com intuito de mater o hímen intocado - para permanecer virgem. Com isso, eu continuei com estas peripécias e comendo as bundinhas nervosas e experts, daí, sem ao menos eu perceber, as mulheres se viraram, literalmente, e não quiseram mais dar o cu. Hoje em dia, após a liberação sexual feminina e suas exigências, dar o cu virou sinônimo de atitude lasciva de alto grau luxurioso, ou seja, só mulher com Phd na vida sexual costuma fazer com solicitude. Assim mesmo, isso é feito cheio de exigências e tanto qüiproquó que acabo perdendo a fome e a vontade de comer. Naquele tempo, não existia comentários do tipo: “Doeu por que ele não sabia fazer...”; “Não dá pra dar, o pau dele é muito grande.”; “O cu é um lugar muito apertado”; “Eu acho nojento”; “Tenho medo de melar tudo, literalmente”. Nada disso, o amasso rolava, o tesão esquentava, subia um fogo pelas nossas pernas e a coisa acontecia naturalmente, daí, era só relaxar que o negócio encaixava perfeitamente. Não existia KY, flet enema, chuca, etc, ou até existia, mas ninguém falava nisso. A solução aos mais apertados era a de que com cuspe e jeito, qualquer mulher liberava o sujeito. Hoje, não, o danado é presente, um indulto por bom comportamento. Caso o marido a leve às compras no shopping ganha a entrada de serviço de recompensa; se o namorado à levar num motel chique, lá vai ter uma surpresinha básica; e assim por diante. Ainda, algumas coisas não existiam ou nem se falava, como o uso de fibras de fácil absorção, iogurte pra deixar o intestino regular e essas coisas de quem tem cu inibido. Até isso é complicador na vida das mulheres cosmopolitas de hoje em dia, seus cus são tímidos, as pobres coitadas não cagam por não terem intimidade com a forma vetorial inversa de dar o cu. O que eu conheci como portão do parquinho, hoje é como se fosse uma entrada de serviço que só é concedida se o cara “merecer”. Talvez seja por isso que muitas mulheres ainda não estão bem resolvidas em suas vidas sexuais, elas continuam como antes da liberação sexual, quando elas eram depósito de esperma e não se concediam o prazer, o sexo era apenas uma obrigação conjugal e gozar não era do consentimento de suas fantasias. Os maridos que sabiam explorar bem esta variedade característica de mulheres ladinas que foram gurias sapecas gozavam desta glória, assim como o marido da vizinha. E por assim dizer, este não soube aproveitar muito bem o prêmio que recebeu. Alguns anos depois, eu reencontrei a minha ex-vizinha, o tal varão não era tão varão assim e ela resolveu ceder para alguém que a preenchia por completo. Desta vez tive direito a porta da frente, mas não pude rejeitar o portão do parque de diversões. Claudio R. é escritor dO Ladrão de Palavras e adentra todas as portas de entrada do prazer.
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