| Indústria do sexo pelo mundo |
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Acompanhando as demais atividades humanas, a indústria pornográfica também foi turbinada pelo capitalismo pleno desenvolvido nos EUA. O pólo de produção mais importante do mundo dá uma medida da sua força ao anunciar, anualmente, a premiação dos melhores do cine pornô, inspirados no Oscar da Academia de Cinema, bastião da cultura americana.
Em Las Vegas, EUA, diante de três mil convidados, os atores e atrizes, produtores, diretores e distribuidores recebem seus prêmios em 15 categorias: a cena mais escandalosa, melhor vídeo bissexual, melhor ator homo, melhor atriz, melhor grupo etc... A respeitabilidade é evidente quando magnatas e investidores do pornô discutem nichos do mercado, margens de lucro e valorização dos produtos. Alguns oferecem às suas equipes planos de saúde e seguro de vida. Os técnicos de Hollywood, que antigamente trabalhavam furtivamente nessas produções, hoje o fazem abertamente e são até invejados. No Sunset Boulevard, as companhias pornô fazem publicidade com enormes néons, algo jamais visto antes de 1998. Nesse ano, a indústria pornô, situada principalmente no vale São Fernando, Califórnia, produziu oito mil títulos, 12 vezes mais que a produção de Hollywood, e os americanos alugaram ou compraram cerca de 700 milhões de vídeos, em média seis por família. Apoiados na Primeira Emenda da Constituição americana, muitos empresários fizeram história lutando pelo direito de ganhar dinheiro com pornografia. O caso mais famoso foi o de Larry Flint, do grupo Hustler, enfrentando os fortes movimentos conservadores, a ponto de sofrer atentado que lhe retirou os movimentos das pernas. Flint acabou por ganhar na Suprema Corte o direito de publicar suas revistas e filmes. A revista Screw (coito, na gíria) foi pioneira da pornografia hardcore, nos Estados Unidos. Al Goldstein era seu proprietário. Sua história, de milionário a sem-teto das ruas de Manhattan, é típica do capitalismo turbinado pela WEB e das fortunas rápidas produzidas pela indústria pornográfica. Goldstein acumulou US$ 11 milhões com a hoje extinta revista Screw, fundada em 1968, e com o programa de TV Midnight Blue, exibido numa TV a cabo de Nova York. Sua falência é atribuída à proliferação da pornografia na WEB. Em 2004, Goldstein passou a dormir no Central Park e em abrigos para sem-tetos. Chegou a ser acusado de furto em uma livraria em Manhattan. É claro que ele não administrou bem seu dinheiro. Ou acreditou que ele não se acabaria. Mas no ano seguinte, aos 69 anos, ele deu a volta por cima; foi nomeado diretor nacional de marketing do XonDemand, um site que vende vídeos pornográficos. O site é uma versão on-line dos peep shows de tempos passados, que antigamente povoavam um trecho da 42nd Street, a oeste da Times Square, em Nova York. Os clientes pagam por minuto para assistir a trechos de um filme pornográfico, ou se quiserem podem pedir um inteiro. Samuel Roth era um rebelde do underground sexual. Vendia edições clandestinas de clássicos do erotismo – o Kama-Sutra ou o Jardim Perfumado – e contrabandeava de Paris as cópias de Frank Harris e Henry Miller. Em dezembro de 1953, um mês após o aparecimento da Playboy, Roth escreveu em seu boletim de informações American Aphrodite: "Não quero ofender os que são cheios de pudor e românticos, quero liberdade para falar e publicar. Sei que as pessoas se interessam pelo sexo, como por todos os outros aspectos da vida: um interesse normal, vigoroso e criativo. Os que pensam que o sexo é sujo podem esquecer meus livros. Eu não os publico para eles". Durante a perseguição macartista, capitaneada por Edgar Hoover, diretor do FBI, Roth passou um tempo na cadeia. São muitos os grupos econômicos que se desenvolveram vendendo pornografia e erotismo. Playboy, Penthouse, Private e Butmann são os mais conhecidos. Essas multinacionais do sexo utilizam todas as mídias para chegar aos seus clientes. O suporte tradicional é a revista, logo depois os filmes e mais recentemente, os sites da WEB, a rede mundial de computadores. "É impossível desfazer os erros dos séculos passados em poucos anos, mas Kraft-Ebing e Freud começaram a fazê-lo e as estatísticas de Kinsey evidentemente vão no mesmo sentido. Vamos ver se nós não podemos descobrir nosso caminho no obscuro labirinto dos tabus para o ar puro e para a luz da razão", essas palavras de Hugh Hefner, criador do império Playboy, davam a medida do que ele pretendia realizar. E realizou. Redator da revista Esquire, homem culto, Hefner percebeu que o mundo e o sexo estavam mudando. Lançou em novembro de 1953, a Playboy, uma revista que assumiu o desejo masculino, não como um tabu, mas como refinamento. Foi como se dissesse: gostar de ver mulheres bonitas nuas é não só agradável, mas um passatempo sofisticado. Sua publicação mesclou fotos de "coelhinhas" – modelos contratadas para pousar nuas e que levavam essa alcunha por supostamente fazerem sexo com a mesma voracidade de coelhos – com artigos sobre política e literatura. Logo chegou a um milhão de exemplares. Sua primeira Playmate, ou seja, garota do mês que aparece nua na página central, foi Marilyn Monroe. Hugh criou os clubes Playboy e se tornou milionário. Ao contrário de outros empresários do gênero erótico, não passou para a pornografia. Manteve seu estilo editorial e sua revista é publicada em muitos países e línguas. A publicação brasileira é um sucesso há mais de trinta anos. |
























